sexta-feira, 26 de maio de 2017

Viajar sozinho

Quando viajamos sozinhos não se faz necessário negociar nossa liberdade com o outro. Você se reinventa, você é livre até para ser quem você (não) é, pra decidir cancelar todo o roteiro do dia e sentar numa praça só para ver a vida passar, puxar assunto com gente nativa e saber um pouco mais sobre como é morar naquele lugar. Mas não se entristeça. É possível viajar sozinho, mesmo se estando acompanhado. Os companheiros ideais de viagem são aqueles que te deixam livre, que não pesam com a presença. Que são capazes de entender quando você não está a fim de ir no a algum com eles e que aceitam se separar por um dia para que cada um faça o que está a fim, que aceitem “relacionamento aberto” em viagens. Lembrando que isso vale mais para amigos e parentes; em casal isso fica mais difícil de se aplicar. A última dica para se viajar “sozinho em dois” é quase uma regra: nem sempre o seu melhor amigo é o melhor companheiro de viagem. Às vezes aquela escolha aleatória decidida no meio de uma conversa com um meio amigo pode render uma bela viagem. Sim, é geralmente assim que aparece a pessoa ideal para nos acompanhar. Um dos melhores lados de viajar sozinho é saber que no seu destino tem sempre alguém te esperando, e geralmente esse alguém ainda não sabe que está. Viajar guarda o lado mais bonito do encontro, ou do reencontro.

sábado, 13 de maio de 2017

Os dispostos se atraem

Todas as vezes em que tentamos moldar nosso eu para nos encaixarmos nas perspectivas de amor do outro, falhamos miseravelmente. Não pelo fato de não conseguirmos “nos adaptar” ou mudar certas coisas que sabemos que não são o melhor de nós (porque às vezes até conseguimos fazer isso), mas porque as pessoas são diferentes e nem sempre as circunstâncias estarão a favor de que o que está rolando se torne amor. O amor não é algo que acontece de acordo com o que uma pessoa quer. Ele tem vida própria, surge do jeito que é, quando puder e se quiser. Você não o força. Não adianta nem tentar. Ele virá quando você menos esperar. O amor tem o tempo certo, que não é o seu. Às vezes, ele se deixa ser descoberto ou pode despertar, depois de alguns anos adormecido ali no cantinho. Ele acontece quando você percebe que já não vê mais aquele amigo somente como amigo ou que se pudesse, você moraria no abraço daquela pessoa para sempre. Não é sempre que as coisas acontecem à primeira vista. O amor também pode nascer quando há disposição por parte dos envolvidos. Geralmente é preciso um certo tempo pra que o nascimento se torne viável e possa surgir esse sentimento que muitos julgam inexplicável. Você não precisa se moldar até encaixar no outro. Até porque amor é sobre fazer funcionar mesmo com as diferenças. Preocupe-se em caber dentro de si mesma. E esteja disposta, porque os dispostos sempre se atraem

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Escolhas.

A vida tem a ver com escolhas. Nós somos a soma das nossas escolhas. E a maioria delas não é feita por nós. Você não pode escolher quando vai nascer. Não pode escolher onde vai nascer. Você não pode escolher a família em que vai nascer. Nem mesmo quem vai amar. Mas você pode escolher como vai amar!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Sentimentalidades.

"Tinha suspirado Tinha beijado o papel devotamente Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas Como um corpo ressequido que se estira num banho lépido Sentia um acréscimo de estima por si mesma E parecia-lhe que entrava enfim uma existência superiormente interessante Onde cada hora tinha o seu intuito diferente Cada passo conduzia um êxtase E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações." Primo Basílio. Eça de Queiroz.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O adeus de Teresa.

O "Adeus" de Teresa
A vez primeira que eu fitei Teresa, Como as plantas que arrasta a correnteza, A valsa nos levou nos giros seus E amamos juntos E depois na sala "Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala E ela, corando, murmurou-me: "adeus." Uma noite entreabriu-se um reposteiro. . . E da alcova saía um cavaleiro Inda beijando uma mulher sem véus Era eu Era a pálida Teresa! "Adeus" lhe disse conservando-a presa E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!" Passaram tempos sec'los de delírio Prazeres divinais gozos do Empíreo ... Mas um dia volvi aos lares meus. Partindo eu disse - "Voltarei! descansa!. . . " Ela, chorando mais que uma criança, Ela em soluços murmurou-me: "adeus!" Quando voltei era o palácio em festa! E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra Preenchiam de amor o azul dos céus. Entrei! Ela me olhou branca surpresa! Foi a última vez que eu vi Teresa! E ela arquejando murmurou-me: "adeus!" Castro Alves

terça-feira, 28 de março de 2017

Destino

O que tiver que ser será, no devido tempo e hora, porque o destino é incerto e às vezes os ventos simplesmente não sopram a nosso favor, apesar dos nossos esforços. Dizem que as melhores coisas não são planeadas, simplesmente acontecem e é melhor não pressionar o tempo. Porque se alguma coisa deve acontecer, ela vai acontecer de qualquer maneira. E se não deve, não acontecerá. Simples assim. Por isso, de vez em quando é bom não planear ou esperar. É bom deixar de tentar encontrar razões para continuar por um caminho que não é o certo. O facto de que as coisas são mais simples do que originalmente planeamos abre uma ampla gama de possibilidades para desfrutar de uma vida muito mais relaxada e simpática para o nosso bem-estar. Tudo passa, tudo chega, tudo se transforma. Às vezes, é bom que nos lembremos de um famoso provérbio que guarda em si uma lógica avassaladora: “Se tem solução, porquê se preocupar? E se não tem, porquê se preocupar?” A verdade é que sim, parece óbvio que não devemos nos preocupar com o que não podemos resolver, mas deixar-se levar e ficar calmo às vezes pode ser praticamente impossível. Então, talvez devêssemos aprender que há certas coisas que estão além do nosso controlo e que muitas vezes permitir o fluxo da vida e aceitar as circunstâncias é a melhor das nossas opções. Somos aquilo que digerimos, as pedras nas quais tropeçamos, as feridas que não curamos. Nós não somos apenas os sorrisos, alegrias ou verdades, também somos mentiras, as críticas e as lágrimas que não choramos. Não se trata de crer ou não crer em destino, mas em deixar que as circunstâncias nos surpreendam e assim abrir as janelas do relaxamento emocional para nos ajudar a reacender os nossos sentimentos. Não tentes planear cada milímetro da tua viagem, às vezes tu simplesmente precisas ser inspirado por coincidências.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Amor próprio.

 
Muitas vezes, supervalorizamos tudo o que está fora de nós, dando-lhe uma importância muito maior do que na verdade tem em nossas vidas. Acorrentados por essa ilusão, acabamos depositando toda a razão de nossa existência em pessoas e em bens materiais que não acrescentam em nada o que somos. Achamos que não conseguiremos viver sem aquilo tudo, que a vida não seguirá seu rumo com tranquilidade. Achamos errado, pois a vida segue, com ou sem o que queremos, e às vezes de uma maneira muito mais tranquila e feliz. Apaixonar-se por alguém, por exemplo, traz um prazer tão grande, que nos agarramos à condição de estar com outra pessoa como prioridade e pré-requisito imprescindível para sermos felizes. Com isso, a possibilidade de se alcançar felicidade e contentamento sem alguém do nosso lado nos parece inconcebível, algo que nem passa pela nossa cabeça. Infelizmente, essa visão distorcida da realidade tem um alto preço, que consiste na anulação paulatina de tudo aquilo que é nosso, tudo o que temos aqui dentro, em favor da manutenção do outro em nossas vidas. Infelizmente, quando nos agarramos ao que está fora de nós e, nessa busca externa de uma felicidade que deveria estar preenchendo nosso íntimo, negligenciamos as necessidades de nossa essência, adormecemos enquanto pessoa, morrendo lentamente, sem percebermos. Nada conseguiremos apenas depositando em vidas alheias a responsabilidade de encontrar a felicidade, pois essa responsabilidade é nossa tão somente. A felicidade é um sentimento que devemos encontrar dentro de nós, tornando-o visível, para que as pessoas nos enxerguem como alguém que possui um mundo a ser compartilhado e somado. No entanto, caso estejamos oferecendo apenas carência e insegurança, provavelmente atrairemos quem queira preencher esses vazios de forma unilateral e, muitas vezes, tirânica. Precisamos, portanto, estar seguros quanto ao que queremos de nossas vidas, ao que merecemos sentir, ao que necessitamos receber de quem escolhermos para compartilhar nossos sonhos, nossos desejos. Necessitamos, da mesma forma, ter coragem para percebermos quando estivermos solitários enquanto construímos nossa jornada, mesmo tendo alguém dividindo não mais do que uma mesa e uma cama. É assim que afirmaremos nossa existência para o outro, uma vez que ninguém é capaz de suportar por muito tempo, sem sucumbir, o desprezo alheio, enquanto as mãos tateiam em vão pelo escuro dos retornos vazios. Não podemos continuar insistindo em um relacionamento que não tem futuro, que nos diminui ou mesmo nos torna inexistentes. Jamais poderemos deixar de lutar pelo reconhecimento de tudo o que fazemos, temos e somos, de tudo o que podemos dar e merecemos receber, buscando sempre as trocas de que se constituem os relacionamentos saudáveis. Nada menos do que isso.

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A beleza de cada dia só existe porque não é duradoura. Tudo o que é belo não pode ser aprisionado, porque aprisionar a beleza é uma form...